quarta-feira, 13 de junho de 2012

Levantamento papiloscópico - pó branco e fosforescente

No último plantão do dia 08 de junho eu não precisei sair muito e por isso auxilei o colega Paulo Rogério em um levantamento de impressões papiloscópicas.

A situação era lataria escura de veículo. O pó recomendado era o branco. Consequentemente o suporte adequado para transportar a impressão seria com um fundo escuro para contrastar com o pó branco. De fato a maleta fornecida pela Senasp possui esses levantadores e nós os utilizamos.

Fizemos alguns testes com o pó fosforescente.

Foto sob luz natural.
Para iniciar os trabalhos fizemos um teste com os dois pós e registrei com algumas fotos. Na foto acima utilizei a luz natural para não influir no contraste oferecido pelos levantadores. À esquerda é o pó fosforescente verde em suporte branco e à direita é o pó branco em suporte escuro.

Abaixo utilizei o flash - que pode influir na percepção do pó branco sobre o suporte escuro. E na foto seguinte utilizei a luz forense com o filtro laranja.


Foto utilizando o flash e câmera sem filtro.

Foto sob luz forense e câmera com uso de filtro laranja.


Acima detalhe dos resultados obtidos. À direita pó fosforescente sobre suporte branco e sob luz forense com uso de filtro laranja e à esquerda pó branco sobre suporte escuro e sob luz branca sem uso de filtro.

Vale ressaltar que todas as fotos acima não receberam ajuste de cor ou luminosidade ou aplicação de qualquer filtro. As fotos abaixo podem ter recebido ajustes para melhor visualização.

O levantamento consistiu em aplicar o pó branco sobre a superfície da carroceria do veículo a ser pesquisado (foto 01 abaixo), localizar e enumerar a impressão mais significativa (foto 02), registrar fotograficamente seus detalhes (3) e efetuar seu levantamento por meio do levantador adequado (4).



Após eleger as impressões mais significativas para o caso, passamos a experimentar o pó fosforescente.

Pó fosforescente e pincel aplicador.
 As etapas foram semelhantes, mas a área foi menor, já que se tratava de uma experiência. Aplica-se o pó sobre a área desejada (1), vê-se que o pó adere às impressões digitais já reveladas pelo pó branco (2), aplica-se a luz forense (3) e faz-se o registro (4).


Usando a luz forense (foto sem uso do filtro laranja)
 Na foto acima utilizou-se o flash comum e por isso a cor verde, característica do pó fosforescente não é observada, mas uma vez com o filtro na câmera a visibilidade é patente! Fotos abaixo:


As setas vermelhas acima mostral a localização de impressões digitais sob o efeito da luz forense.

Resultado final com o uso da luz forense.
Percebe-se que realmente o suporte original da impressão digital desaparece. O pó brilha sob a luz forense e com a câmera armada com o filtro é possível registrar nitidamente a impressão digital.

Aplicando-se adequadamente filtros de um editor de imagem (Photoshop, neste caso) é possível obter uma imagem muito boa da impressão e assim facilitar o confronto papiloscópico posterior. Vejam abaixo:

Imagem com inversão de cores e um pouco de escurecimento.

Liderança responsável


"LIDERANÇA RESPONSÁVEL"

Lideres devem ter participação ativa na construção de um futuro melhor, mais digno, mais transparente e mais justo.

domingo, 3 de junho de 2012

Último plantão de maio - Lagoa da Canoa

Lagoa da Canoa é um município distante cerca de 13km do Centro de Arapiraca, maior cidade do interior de Alagoas.

A solicitação de exames periciais se deu às 2h da manhã. Com 145km até o local dos exames - uma estrada de barro em local ermo - sabíamos que não voltaríamos antes do amanhecer, ou melhor, veríamos o sol nascer durante os trabalhos periciais!

Percurso (em vermelho) da equipe pericial até Lagoa da Canoa.
Vale lembrar que os percursos da equipe pericial são traçados com o uso ininterrupto do GPS com a função "trilha" ligada. Desta forma monitoramos velocidade, tempo, percurso e eventualmente marcamos pontos importantes. É possível tabular todos os quilômetros percorridos neste ano por causa desta forma de trabalho.

Local do crime numa estrada próxima ao município de Lagoa da Canoa
Atendemos a chamada assim que nos chegou a comunicação. Para nossa surpresa os policiais militares estavam fazendo turnos no meio da estrada, à noite, aguardando a nossa chegada. Temos de elogiar a perseverança dos policiais militares no cumprimento de suas funções.

O isolamento mais parecia uma sinalização do local! O que não prejudicou em nada. Até porque numa estrada de barro, à noite, a sinalização foi bemvinda.

Marcas no solo próximo ao cadáver.
 Infelizmente, os mesmos soldados, já havia transitado bastante pelo local. Explicando-se pelo interesse deles na elucidação do caso.

Estojo deflagrado constatado no local.

Conforme eu havia comentado, o dia amanheceu durante os exames periciais (foto abaixo).

Alvorecer durante os trabalhos periciais (cinco horas da manhã!).
No retorno para a base, a neblina ainda era densa em alguns pontos da estrada. A viatura do IML ia na nossa frente e quase desapareceu no nevoeiro.


Na foto da esquerda a neblina ficou bem forte, já na foto da direita é possível enxergar a viatura do IML.

Saímos às 2h da manhã e só retornamos por volta das 7h da manhã. Ainda deu para tabular os dados e sair de 8h do plantão!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Nações ricas e pobres

Infelizmente estou um pouco atarefado neste momento e não estou conseguindo publicar o volume de fotografias que desejo para a finalidade deste blog. No entanto, prometo para breve, o resumo de alguns dos meus plantão (cotidiano da perícia) e comentários a respeito das experiências (fotografia e burocracia!), bem como estatísticas do meu trabalho individual.

Pensamento abaixo retirado do rodapé de uma mensagem de email.

"A diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade do país,  recursos naturais disponíveis, ou diferença intelectual significativa, raça ou a cor da pele. A diferença é a atitude das pessoas, moldada ao longo dos anos pela educação e pela cultura. Ao analisarmos a conduta das pessoas nos  países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os  seguintes princípios de vida: ética, integridade, responsabilidade, respeito às leis e  regulamentos e ao direito dos demais cidadãos. Nos países pobres apenas uma minoria segue esses princípios básicos em sua vida diária. Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza  foi cruel conosco. Somos pobres porque nos falta atitude. Nos falta vontade  para cumprir e ensinar esses princípios de funcionamento das  sociedades ricas e desenvolvidas."

domingo, 27 de maio de 2012

Discursos políticos - frase


"Para cada situação política há um discurso pronto, de que se trocam as vírgulas."
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 12 de maio de 2012

Manutenção da Criminalística


Mesa de trabalho na oficina de luz forense.


Assino dois diários na internet (blogs). Um sobre criminalística, meu ofício e “ganha-pão”. O outro, um prosaico resumo das atividades de síndico em um condomínio. Desde que um coronel assumiu a direção de um órgão que se arvorava independente, fiquei um pouco desestimulado. Vicissitudes da política e da burocracia. Preferi desviar minhas energias para a administração voluntária de um condomínio.

Exemplo de amostra sob luz forense
O blog de criminalística possui a metade das publicações do blog do condomínio, mas curiosamente possui o dobro de visitas do último. Explica-se.

Um condomínio com boa administração mantém-se estável e ninguém percebe sua existência. Ele está ali como suporte do médico, advogado, engenheiro e tantos outros profissionais e pessoas do lar que tem muito mais o que fazer que intervir na manutenção de seus recursos básicos. Já a atividade de criminalística é um eterno pesquisar novos recursos para atender sua finalidade de elucidação de condutas criminosas. O blog poderia ter apenas uma publicação, mas todo perito, em algum momento, irá consultá-la. É uma necessidade.

Não tendo mais espaço para atuar no meu trabalho, como funcionário, decidi manter-me “lubrificado” auxiliando na manutenção de um edifício, com todos os seus detalhes, do subsolo ao telhado. É revigorante tratar com as pessoas. Condôminos, inquilinos, prestadores de serviços e produtos. Aprende-se muito.

Nosso trabalho, atualmente, pode não oferecer muito, mas a filosofia embutida, a ciência da criminalística, ainda é um manancial do qual não se pode abrir mão. Não esqueçamos da distinção entre voluntariado e profissionalismo. Ali se faz porque se pode e se é muito, aqui só se faz se investir. Parar, por qualquer motivo que seja, é assinar sua certidão de óbito profissional.

Estejamos tristes, mas não mortos. A instrução será ministrada. Os que puderem ouvir, não terão prejuízo.

Amostras sob diversos comprimentos de onda.

sábado, 21 de abril de 2012

Nova delegacia. Nova perícia?


Desde que começou o ano de 2012, até este feriado de 21 de abril, executei 30 levantamentos periciais em locais de crime que produziram 3080 fotografias. Elaborei 163 páginas de laudos e mesmo assim só cumpri um terço do volume total. Minha equipe possui 4 peritos (eu e mais três) para cobrir todo o Estado de Alagoas. Agora mesmo um colega está periciando a mais de 200 km de distância da capital. Neste cenário, recebo a seguinte notícia: “Delegacia de Homicídios: nova estrutura funcionará em maio”. Veja link abaixo:


Curioso é ler o seguinte trecho:

“Outro avanço significativo será a presença permanente de equipes de peritos do Instituto de Criminalística (IC) na base da delegacia para a realização dos exames periciais nos locais onde os crimes acontecerem. ‘Os peritos acompanharão nossas equipes e isso vai agilizar o trabalho de investigação’, acrescenta”.

Nada do que foi noticiado é novidade no mundo jurídico-administrativo atual. Tudo já devia estar funcionando. Por algum motivo, algo, ou tudo, não ia bem. Mas acharam uma solução! Vamos juntar um “grupinho” para trabalhar naquilo que já devíamos fazer em cada uma das delegacias! E se for usando o chapéu dos outros, melhor!

Já que os peritos fazem perícia de homicídio de qualquer jeito, seja dentro da estrutura do Instituto de Criminalística, seja na delegacia de polícia civil, desejo ao menos saber como fazer parte do “grupinho”. Pelo menos deixo de ser “clínico geral”!

Quem serão os “homenageados”? Os amigos do rei?

O grande desafio é saber se vamos especializar a perícia alagoana com seu minguado número de peritos ou mantemos a “clínica geral” com seus resultados insatisfatórios. É um problema do tipo “cobertor curto”.

Transferir peritos para a nova delegacia especializada significa assoberbar esses peritos com numerosos levantamentos em locais de homicídios, nosso “feijão com arroz” em Alagoas. E, por outro lado, manter os demais peritos na “clínica geral”, incluindo mortes violentas como acidentes e suicídios.

Quem sai ganhando com essa estratégia?