quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Inaugurei a pulseira de identificação de cadáver.

 Inaugurei a pulseira de identificação de cadáver. A famosa "PIC".

Todo o procedimento está previsto na Portaria Conjunta nº 001/GS/2011 de 21 de novembro de 2011.

Apesar de já estar publicada há exatos 30 dias, somente hoje as pulseiras e adesivos foram entregues na central de equipamentos do Instituto de Criminalística. Recebi rápidas instruções do gerente das perícias externas para utilizá-las numa perícia por volta do meio-dia.

Não se sabia exatamente como e o que preencher no "BIC" (Boletim de Identificação de Cadáver). Nem exatamente como proceder com a referida pulseira e suas partes.

Mesmo sendo funcionário público não fui diligente o suficiente para acompanhar o texto publicado no DO do Estado há tanto tempo. Apenas hoje foi também fixada uma cópia da Portaria no quadro de avisos do IC.

Tive o extremo privilégio de atender um local fechado e coberto (interior de residência) em que estavam os representantes de todos os envolvidos na investigação (polícia civil e militar e Instituto Médico Legal). Isso facilitou muito a confecção do "BIC" e a entrega de todas as vias aos seus devidos destinatários.

Abaixo a sequência adotada para os trabalhos em campo:

No local de crime fui privilegiado com uma mesa para preencher o "BIC".
Fixação da "PIC" no tornozelo do cadáver.

Adesivos a serem fixados em cada uma das quatro vias.
(a via do IML recebe parte da etiqueta plástica da "PIC").
Preenchimento do "BIC". As três vias seguintes
são preenchidas por meio do papel carbono.

Colaboração do agente de polícia (Delegacia de Homicídios).

Via que fica com o IC e que deve ser escaneada para seguir com o laudo pericial.

Curiosamente o "treinamento" promovido pela Secretaria de Estado da Defesa Social não contou com a total receptividade dos peritos criminais. Soube-se que a Direção do IC, em apenas quatro reuniões com a cúpula da SEDS, aceitou o formato atual do "BIC" e sequer partilhou a proposta com os profissionais de campo. Sem diálogo, fomos obrigados a voltar ao tempo do "papel carbono".

Já foi o tempo em que eu me arvorava de afirmar ideias. Hoje prefiro dizer que estou autorizado a pensar algumas ideias em decorrência de algumas constatações. Aliás, é o movimento natural do perito criminal. Ele constata, analisa e exara sua opinião técnica.

Sem rigor eminentemente técnico, é possível supor que uma gestão pública que ignora o conhecimento de seus subordinados não os valoriza como elementos de mudança. São meros operários. Trata-se de simples mecânica. Eu mando, você faz.

Então, dentro do mais puro espírito militar, missão dada é missão cumprida!

Numa administração cega, politicamente desacreditada e num órgão público bastante desmotivado com tanta falta de informação - e consideração -, fiz a minha parte. Cumpri o que me mandaram fazer. Certamente não incomodarei ninguém por isso.

Um Feliz Natal e até o próximo plantão.

2 comentários:

  1. Boa noite, sou Agente de Pericia em Curitiba e gostaria de saber como foi a experiencia com as pulseiras , estou pesquisando uma forma de identificar nossos cadáveres e seria útil essa informação. Agradeço a atenção. obadias_jr@hotmail.com

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  2. Junior, como todo o início, trouxe incômodo fazer os peritos preencherem aquele formulário (BIC). Alegava-se que as informações poderiam ser passadas pela PC ou mesmo pela PM. No entanto, hoje, se tornou lugar comum fazermos os BIC's e fixarmos as PIC's (pulseiras de identificação de cadáver). As informações chegam a ser redundantes, mas pulseira é um diferencial para a metodologia anterior. Vale a pena.

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