sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Dia do Perito Criminal - 4 de dezembro



"Resgatando a história, lembramos que a escolha do dia 4 de dezembro como o Dia Nacional do Perito Criminal foi uma homenagem ao patrono dos peritos criminais, Otacílio de Souza Filho, que nasceu nesse dia e morreu tragicamente, em 1976, após sofrer uma queda de um precipício, quando periciava duas mortes ocorridas em local de difícil acesso, no interior do Estado de Minas Gerais. As vítimas, um casal de geólogos, ao colherem amostras de rochas para estudos, caíram de um desfiladeiro vindo a falecer. O local, de difícil acesso, provocou outra vítima, desta vez o perito Otacilio de Souza Filho, que ao tentar chegar até o local onde encontravam-se os corpos das vítimas, perdeu o equilíbrio e caiu, vindo a falecer de forma idêntica do casal de geólogos. A data de 4 de Dezembro, Dia Nacional do Perito Oficial, foi criada através da Lei nº 11.654, de 15 de abril de 2008."

Texto pesquisado nos sites abaixo:

Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul
Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Curso de Fotografia em Sergipe


De 21 a 25 de novembro ministramos um curso de fotografia forense em Aracaju, Sergipe.

Foi uma iniciativa do Sindicato dos Peritos Oficiais de Sergipe - Sinpose com a colaboração da Academia de Polícia Civil de Sergipe.
Havia duas situações interessantes para este curso: tanto os peritos quanto as câmeras entraram recentemente para o serviço público!


Nas aulas foram utilizados dois modelos de câmeras reflex: a Nikon D3300 e a Canon T5.

Para bom entendimento do tema, algumas perguntas precisam ser respondidas (Heptâmetro de Quintiliano): o que é fotografia forense? Quem a produz e por quê? Onde e quando é produzida? E, finalmente, como e com o que é produzido o registro fotográfico forense?

Geralmente as duas últimas perguntas são mais críticas. Os peritos oficiais já sabem o que é, quem deve fazer, onde, quando e por quê fazer. Resta aprender a usar o novo equipamento e executar as especificidades da perícia.



Não deixamos de fortalecer a responsabilidade do perito pelo levantamento fotográfico e informamos as exigências legais de sua execução.

Inicialmente apreciamos diversas imagens de modo a possibilitar a "educação" do olhar. É importante identificar a luz e sua direção sobre os objetos a serem fotografados. Isso auxilia na obtenção da imagem em condições difíceis de iluminação, por exemplo.


Ultrapassada a apreciação e execução de uma fotografia comum, passamos a conhecer os parâmetros que podem ser controlados numa câmera ajustável como as do tipo "reflex" que são atualmente disponibilizadas nos institutos de criminalística do país.


Exposta a teoria, significando que vamos lembrá-la constantemente durante as prática, vamos às práticas!

Primeiro um teste rápido de segurança no disparo e enquadramento do assunto.


Depois vários exercícios de foco, travamento do foco, reenquadramento, profundidade de campo e distância focal.


Um exercício de "luz de preenchimento", para assuntos sombreados cuja medição da luz pela câmera desligaria o flash automático.


Depois dos exercícios de "sala de aula" (sombra e água fresca), passo aos "exercícios de campo" (muito sol e suor!). Apesar do desconforto, é uma ótima aproximação de como, frequentemente, o perito é exigido para tirar suas fotografias forenses.



Montei a cena no estacionamento da Acadepol e usei meu próprio veículo que já vinha com "denominação" adequada!


Experimentamos as tomadas gerais, relacionadas e detalhadas, verificando ainda distâncias focais (18 a 55 mm) e testando o uso de escalas nos vestígios menores.

No último dia fizemos exercício prático em sala escura para testar as configurações em baixíssima luminosidade. Assim fizemos captura de feixe de laser verde e registro de material luminescente (mostrador de relógio de pulso).


A todo instante os alunos testavam as instruções e faziam suas próprias fotos instantâneas. Registo duas abaixo:

Uma interessante composição do perito Uilames. Impressão digital
nítida no primeiro plano, escala informando o evento e o fotógrafo
discretamente no segundo plano.

A perita Thayse registrou seu próprio ato de fotografar. Vê-se no primeiro plano, nítido,
a cena que se deseja registrar. E ao fundo a cena em si, desfocada para sobressair o interesse
na operação da câmera fotografada.

Acredito que o diferencial do curso é aproximar alunos de alguém "experimentado", mas que muitas vezes a coisa se revela apenas numa leitura antecedente dos manuais dos equipamentos e dos livros de teoria. A prática reiterada faz do aluno, mestre. E não precisa ser a trabalho. Informalmente podemos nos aprimorar. Neste aspecto senti muito entusiasmo e energia nos colegas de Sergipe. Espero retornar para aprender ainda mais.


Sugestão de links:
Link para manual da Canon T5.
Link para manual da Nikon D3300.
Apostila "Aprenda a fotografar em 7 lições", de Cláudia Regina.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Fotografia em dois ambientes

Apresentou-se uma dúvida interessante. Como a fotografia se comportaria no ambiente pericial e no ambiente de eventos "não investigativos criminais" (casamentos, aniversários, propaganda, imprensa, etc.)?

Uma diferença marcante, mas não a única, seria observar os "modelos".


Enquanto nos eventos sociais temos pessoas animadas, vivas e cheias de emoção, não podemos dizer o mesmo nos eventos criminais. Curiosamente isso já mostra uma certa "facilidade" do fotógrafo criminal em fazer seu trabalho. Há necessariamente menos movimentação, mas, talvez, algum desafio para controle luz e registrar pontos que não recebem "comandos". O fotógrafo de eventos precisa "controlar" seus modelos. Deve conduzi-los para um melhor posicionamento.

Obviamente isso se reflete no manejo do equipamento.

A "zona criativa" onde o fotógrafo irá ampliar o domínio sobre o equipamento.

Para ambos os profissionais, os conceitos básicos são imprescindíveis.


Apresentado em alguns cursos como os "três pilares da fotografia", eles definem a exposição adequada do sensor à luz. São eles:

OBTURADOR - representa o tempo da luz. Isso pode "congelar" movimentos ou justamente sugerir movimento no resultado final da foto.


DIAFRAGMA - representa a quantidade de luz que atinge o sensor. Controla ao luminosidade do registro.


SENSIBILIDADE ISO - representa o nível de detecção da luz pelo sensor da câmera. Além de influir na subexposição ou superexposição, o principal problema é a produção de "ruído" na imagem. Um efeito "granulado" que degenera a imagem.


FOCO - representa onde está a nitidez da imagem.

PROFUNDIDADE DE CAMPO - representa quantas partes da imagem estarão nítidas.

DISTÂNCIA FOCAL - define o campo de visão de uma lente. Quando a lente possui essa distância variável é conhecida como "zoom" e permite o fotógrafo aproximar e afastar o assunto sem que precise se deslocar.

Após estes conhecimentos básicos, temos as peculiaridades de cada profissional.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

"Test Drive" da nova câmera do instituto

O Instituto de Criminalística adquiriu novas câmeras fotográficas. Marca Canon, modelo Rebel SL1 EOS 100D.


Não há o que reclamar do novo equipamento. Na verdade o desafio será dominar boa parte dos excelentes recursos que ele oferece. Abaixo está a simbologia que ilustra alguns destes recursos.

Clique na imagem para ampliar.

Além do corpo, vieram duas objetivas: uma "normal" de 50 mm e uma "zoom" de 18 a 200 mm (vejam abaixo).


Também foram adquiridos tripé e flash auxiliar para cada câmera, juntamente com uma bolsa para transporte.

"Kit" básico de campo. Excluí o tripé e o flash auxiliar.

Montei um conjunto para testar e como o levantamento era pelo dia, dispensei o tripé e o flash auxiliar. Mesmo pelo dia estes itens podem ser necessários, mas a natureza do exame solicitado não exigia.

Ainda na porta do IC experimentei a capacidade de zoom da objetiva 18-200 mm.


Com uma resolução de 18 Mpx, explorei a ampliação digital (cortes no arquivo original).


Abaixo repeti o teste de resolução para visualizar uma placa que fica a 350 metros da entrada do IC. O impressionante é que o recorte foi feito numa imagem capturada na distância focal de 18 mm, ou seja grande angular. O recorte ficaria ainda melhor se a imagem fosse produzida sob DF 200 mm.


Saímos na viatura e levei a câmera sobre as pernas. É assim que fico constantemente de prontidão para fotografar durante o deslocamento. Aproveitei para testar captura contra a luz:


Lembrando: como a luz da janela é mais forte que o interior do veículo, então precisamos "forçar" o flash para registrar os detalhes do interior. É preciso desligar os automatismos da câmera para acionar o flash deliberadamente (programa "P)".


No trajeto para o local de crime optamos por uma via que passa por trás do aeroporto. Vejam mapa abaixo:


Como foi possível visualizá-lo, pensei em fotografar. Ainda que eu tenha marcado um ponto no GPS para saber minha localização no momento da foto, é possível "encontrar" esse lugar pela hora registrada na fotografia. A hora exata em todos os equipamentos facilita o cruzamento das informações.


Desta forma também é possível encontrar imagens que produzi na câmera no momento em que fui fotografado pelo celular.

Isso é muito importante em perícia. Além da captura das imagens, registrar a data e a hora das mesmas. Imprescindível na verificação de tacógrafos, por exemplo.

Vejam abaixo a foto feita a cerca de 6 km de distância. Clique nas imagens para ampliá-las.


À esquerda temos o campo visual original (imagem capturada) e à direita um corte com edição de luz e nitidez. A viatura estava em movimento. Percebe-se uma estaca de cerca de arame farpado em desfoque de movimento na primeira imagem.

Brinquei de "congelar" movimentos usando o programa "Tv" ou "S" ("Shutter Priority"). A câmera controla todos os outros ajustes e libera o obturador para o usuário.

Com a viatura em movimento "parei" a margem da pista (o retrovisor sempre nítido por estar parado em relação à câmera). Também "congelei" as rodas de uma motocicleta ultrapassada pela viatura (os raios e a sombra parecem parados).



O tempo usado para "congelar" foi de 1/1000 segundos, mas isso pode variar de assunto para assunto.

No local de crime me comportei como se estivesse com a minha câmera. Bolsa pendurada nos ombros e máquina na mão. Nesta câmera há uma bandoleira que passei pelo pescoço.


Temos de caminhar e nos abaixar com frequência. Para evitar impactos indevidos, a câmera anda sempre junto ao corpo ou dentro da bolsa.


Por causa dos automatismos, é possível usar a câmera apenas com uma das mãos, mas constantemente altero a distância focal (zoom) e, dependendo das condições de iluminação, tenho de usar os atalhos para efetuar ajustes rápidos e as duas mãos ajudam bastante.

Uma das vantagens do grande zoom é poder aproximar o assunto sem necessariamente se aproximar tanto. Vejam exemplo abaixo (postura e resultado correspondente).


Obviamente existem consequências que precisam ser administradas. A vibração é uma delas. Usar o estabilizador é uma solução, mas também gasta bateria. Nada que assuste, principalmente se houver bateria reserva para emergências.

Especialmente neste levantamento, por volta das 9h30, o sol estava muito forte e produz o que chamamos de luz "dura", ou seja, uma distinta diferença entre zonas claras e escuras. Vejam abaixo:

Zonas claras demais e sombras escuras demais.

LEVANTAMENTO SOB SOL FORTE

Um dos segredos do fotógrafo eficiente é saber controlar a luz. Como neste caso ela é "dura" (primeiro quadro abaixo), então você a "exclui" fazendo uma simples sombra sobre o assunto (se coloca entre o sol e o tema ou pede a ajuda de um auxiliar). Eventualmente será preciso uma luz extra incidente, então você "força" o flash (segundo quadro abaixo). Pode aumentar o zoom para delimitar toda a área artificialmente sombreada (terceiro quadro) - importante para a fotometria automática - e, com o flash acionado, obtém uma imagem que depois de editada (corte) se consegue resultado muito bom (quarto quadro abaixo).



Se o caso fosse à noite, para fotografias próximas (relacionadas e de detalhes), toda a luz necessária seria fornecida pelo flash embutido. Panorâmicas exigiriam ajustes na sensibilidade da câmera e ou uso combinado do flash auxiliar (externo).

A nova câmera é uma SLR ("Single Lens Reflex") digital que pode funcionar com alto grau de automatismo (faixa verde na imagem abaixo) ou entregar vários controles (faixa vermelha) ou mesmo o controle total (programa M) ao usuário.

Dial seletor de modos de fotografia.

O modo A+ (em verde) libera apenas o disparador para o fotógrafo. Todo o resto é feito pela câmera (com exceção do enquadramento, é claro!).

O modo P é o recomendado para otimizar a tarefa do perito em campo. Ele proporciona razoável grau de automatismo (ajuste de obturador e diafragma, por exemplo), configurado pelo usuário e permite acionar outros ajustes conforme a necessidade (compensação e uso do flash, por exemplo).

Com o tempo terei oportunidade de testar mais recursos (período noturno, por exemplo) e eventualmente publicar aqui.