sábado, 18 de outubro de 2014

Plantão 18 de outubro - acompanhado pelos novos peritos criminais

Iniciamos o plantão com a visita de dois novos peritos criminais, Bárbara e Charles que vieram acompanhar levantamentos periciais.

Dei algumas orientações, mostrei o que levo para o plantão e o que temos disponível. Às 10h33 simulamos um levantamento de local de crime no pátio de estacionamento.

Pátio de estacionamento do Instituto de Criminalística.

Mas já às 10h40 fomos informados de um corpo encontrado no município de Barra de Santo Antônio.

Antes de sair do Instituto de Criminalística assumimos outra ocorrência no município de Branquinha. Neste caso um homicídio por projétil de arma de fogo.

Local 01 - morte suspeita no interior de residência na Barra de Santo Antônio (47,2 km de Maceió).

Diversos elementos deste caso convenciam pelo uso inadequado da energia elétrica doméstica.


No local encontramos ferramentas inadequadas (sem isolamento), circunstâncias perigosas (chão molhado, calçado inapropriado) e principalmente vestígios indicativos de descarga elétrica (bolhas de queimadura na pele).


Nem sempre os sinais são totalmente compatíveis com a literatura, mas o conjunto dos elementos materiais, junto às informações angariadas pela investigação policial, confirmam as suspeitas.

Finalizados os trabalhos na Barra de Santo Antônio, nos dirigimos para o município de Branquinha.

Local 02 - homicídio por projétil de arma de fogo em logradouro público de Branquinha (97 km do primeiro local).

Faltando cerca de 10 km para chegar no entroncamento das rodovias BR-101 e BR-104 paramos num bloqueio montado por moradores insatisfeitos com a falta de energia elétrica em suas casas.


Após uma rápida negociação, principalmente facilitada pelo oportuno retorno da energia elétrica nas residências próximas, foi possível desobstruir a via e seguir viagem.

O caso foi relatado como uma abordagem à vítima em local diverso de onde foi encontrada, perseguição, tombamento da vítima sobre o pavimento da estrada e continuidade dos disparos de arma de fogo pelo agressor.


Os vestígios constatados reforçavam os relatos. Manchas de sangue formadas por gotejamento em movimento desenhavam um itinerário sugestivo de fuga. E efeitos secundários de disparo de arma de fogo indicavam disparo à curta distância contra a cabeça da vítima.

A ocorrência se deu por volta das 12h30, mas nós só chegamos às 15h32. O cadáver já possuía alterações por causa da longa exposição ao sol e calor.

População, guarnição da Polícia Militar e genitor da vítima, todos aguardavam o término dos exames e recolhimento do cadáver.


Ainda no percurso entre os locais 01 e 02 recebemos solicitação para atender o município vizinho de Branquinha. Uma colisão de motocicleta contra objeto fixo.

Local 03 - ocorrência de trânsito no município de São José da Laje (33,9 km distante do segundo local).

De longe foi possível identificar a aglomeração de curiosos no local da ocorrência, mas curiosamente não havia o veículo nem a vítima no local.


Não é difícil explicar. A ocorrência foi solicitada às 12h30, mas só chegamos às 16h43. Mais uma vez o problema do efetivo pequeno e a numerosidade das ocorrências.

Nem por isso deixa-se de constatar vestígios relevantes para a caracterização da ocorrência.

Principais vestígios ainda constatados no local


Terminamos o terceiro levantamento com ausência de agentes públicos no local (policiais civis e militares).

Sem mais solicitações nos dirigimos para Maceió e fomos brindados com um bonito pôr do sol!

Imagem capturada da rodovia BR-104 com a viatura em movimento.

Entramos em Maceió já à noite. Aproveitei e testei uma fotografia com baixa luminosidade.

Registrando o engarrafamento em Maceió no início da noite.

Tive oportunidade de testar a câmera fotográfica Nikon D5300 do Charles que teve excelente desempenho na captura de imagens noturnas, mas não testei a câmera, tipo bridge (também uma Nikon), que a Bárbara levou.

Foi um plantão mais de acompanhamento que de prática, como eu desejava, mas pudemos oferecer aos novos peritos uma boa variedade de casos, procedimentos e situações que mostram um pouco do nosso cotidiano.

Itinerário de atendimento dos três locais no período da manhã.

Às 18h30 Charles e Bárbara deixaram o Instituto de Criminalística. Eu, Veras e Luciano continuamos com o plantão noturno.

sábado, 11 de outubro de 2014

Novas câmeras fotográficas chegando!

Concomitante e coincidentemente com a nomeação dos novos peritos (concurso 2013), também chegarão ao IC três novas câmeras fotográficas adquiridas emergencialmente para suprir o desgaste e deterioração das duas Alfa 290 da Sony (DSLR's) e três da Nikon (compactas).

É da mesma marca Sony, mas modelo A-58 com objetiva intercambiável de 18-55 mm. São 20,1 Mpixels de resolução (atualmente trabalho com 12 Mpx da minha antiga Nikon D90). Possui monitor retrátil, alimentada à bateria, mas não é uma DSLR completa. Na verdade possui um visor que "enxerga" o que a objetiva vê e transmite para o operador (quarta imagem abaixo). Por isso é chamada SLT (single lens translucent).

 


 

Uma das vantagens é a objetiva com diâmetro de 55 milímetros. Ela aceitará todos os filtros que veem na maleta da Senasp para uso das luzes forenses!

O monitor retrátil facilita muito a fotografia em posições de visualização difícil, tais como embaixo de veículos e acima de muros, por exemplo, mas eu teria muito cuidado com a fragilidade do mecanismo. Uma pancada e tchau equipamento!

O visor eletrônico tira todo o prazer de ver através das lentes, infelizmente, mas não impede de efetuar os levantamentos. O prazer de consultar as imagens ficará certamente para a visualização das imagens no monitor do computador.

Com tantos recursos quanto uma DSLR comum, já verifiquei, pelas imagens, que a Sony A-58 pode oferecer fácil acesso aos recursos para fotografia noturna. Vejam nas imagens abaixo:

 

Saindo do modo automático (símbolo da "câmera verde" no dial de modo de fotografia), basta acionar o flash para mantê-lo no modo obrigatório (flash forçado) e fazer os ajustes de ISO e compensação pelos botões de atalho. Vejam abaixo:

 

Pressionam-se os botões, um de cada vez, e move-se o dial na parte anterior. Com isso obtém-se a combinação adequada para melhor exposição à noite. Ou pelo menos para forçar o máximo de sensibilidade para capturar todo o ambiente iluminado pelo flash embutido.

Faremos experiências oportunamente e aprimoraremos os comandos na câmara para conseguir bons resultados sem dificuldades.

Vejam os exemplos abaixo obtidos com a minha Nikon D90 usando comandos semelhantes:



Estas imagens não receberam edição. Os ajustes de ISO e compensação só são permitidos no modo "P" (programa). Por isso é preciso "desligar" o modo automático (símbolo representado pelo perfil frontal da câmera na cor verde).

É previsto um treinamento onde poderemos testas todas estas possibilidades.

Mais informações: Sony SLT A58: Uma DSRL para iniciantes que querem gastar pouco.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Plantão do dia 5 de maio - queda da mangueira

Os registros do meu plantão do dia 5 iniciou-se mesmo de madrugada! Ainda na "vigência" da equipe anterior!

Apenas com poucos danos materiais, nossa mangueira caiu! Provavelmente por causa de infiltração de água devido às últimas e volumosas precipitações pluviométricas que se deu neste período em Maceió.

De madrugada os plantonistas tiraram as primeiras fotos. Ao amanhecer e seguinte, nossa colega Ana Márcia obteve as demais fotos (clique nas imagens para ampliar).



Detalhe do "pé" da mangueira. O solo cedeu.


Vários veículos particulares e todas as viaturas ficaram presas durante os primeiros trabalhos de remoção da árvore.

Felizmente não houve maiores danos (algumas esquadrias de janelas e vidraçaria), mas que a mangueira deixou saudades, deixou. Sua carga de frutas era bem apreciada.

Às 15h30 atendi uma ocorrência de homicídio no município de Boca da Mata.

Cena de crime aguardando levantamento pericial
(seta preta localiza cadáver sob cobertura de tecido).

Uma das obrigações do levantamento é identificar os envolvidos (vítima e autor da ação). Durante o curso de auxiliares de perícia, que fizemos no IC/AL em 2010, enfatizou-se justamente a identificação visual: a típica fotografia "3x4" do cadáver.

Obviamente toda a superfície corporal pode reter vestígios importantes, principalmente sujidades e manchas de sangue, mas que também podem dificultar a identificação visual por meio do retrato frontal. Então, busca-se fazer duas fotos do rosto. Uma conforme encontra-se, muitas vezes sujo, e outra com remoção de quaisquer obstáculos à perfeita visualização. Exemplo do caso abaixo:

Registro do rosto com vestígios e com a devida limpeza.

Dentre outros ferimentos de arma de fogo deste caso, dois foram bastante característicos quanto às suas entradas e saídas. Um no pescoço e outro nas costas. Ambos transfixantes.

O primeiro efetuado à curtíssima distância deixou uma enfática zona de tatuagem. Além do esfumaçamento, também houve ação dos gases quentes (queima).

Vista em ângulo aberto para visualizar os dois ferimentos
produzidos pela passagem do mesmo projétil de arma de fogo.

Abaixo, vistas ampliadas da entrada e da saída do mesmo projétil. Clique nas imagens para ampliar.


Um segundo disparo foi efetuado contra as costas com saída do projétil pelo peito. Veja ampliações da entrada e saída abaixo. Clique nas imagens para ampliar.


Uma segunda recomendação - e particular orientação de cursos de preparação para peritos - é a postura de escalas diante dos vestígios. A importância do registro não se discute. A importância do registro bem feito precisa sempre ser lembrada.

Aquela "régua", acartonada e adesiva, viabiliza o dimensionamento e comparação dos diversos vestígios fotografados. É o caso desta publicação. Nas duas imagens acima é possível verificar que o ferimento de entrada de projétil de arma de fogo costuma ser geralmente menor que o de saída.

Outro vestígio deste caso foi o projétil recuperado do solo.


Foi possível identificar o orifício regular produzido no solo pela penetração do projétil (imagem acima).

Próximo a este orifício é enterrada uma vareta ou formão metálico de modo a retirar todo o torrão de terra onde se projeta a localização final do projétil. Tenta-se extrair o projétil por "desmontagem" do torrão de terra. A pretensão é danificar o mínimo possível a superfície do projétil.

No entanto, em casos deste tipo - penetração no solo - dificilmente se obtém um projétil íntegro. Vejam imagem ampliada abaixo:

Superfície do projétil depois que penetrou no solo.

Qualquer microcomparação fica bem prejudicada.

Finalizei os exames periciais verificando que a vítima tombou com menos de 18 anos de vida.

Comunidade local acompanhando o final dos exames periciais.

A mangueira do pátio de estacionamento do Instituto de Criminalística possuía bem mais tempo que isso. Eu mesmo possuo mais idade que algumas dessas vítimas. Mas se uma árvore cai por causa da chuva e um velho não é atraente para ninguém, vejo as pessoas da comunidade e sinto-me autorizado a perguntar: quem será o próximo?


domingo, 25 de maio de 2014

Acompanhando outra equipe, fora do plantão!

O plantão da minha equipe no dia 23 foi um pouco "puxado". Foram 11 (onze) locais e tínhamos apenas três plantonistas, além da equipe de motoristas e fotógrafos.

Aparentemente foi tão extenuante que nem os meus colegas de plantão, Glauco e Edmundo, chegaram a inserir - no mesmo dia - os seus dados no Sistema de Gestão Operacional Unificado - Sisgou:

Levantamentos registrados no plantão do dia 23. Consulta dois dias depois do plantão.

Diversamente se comportaram os plantonistas do dia seguinte, dia 24:

Levantamentos registrados no plantão do dia 24. Consulta feita no dia seguinte.

Eles contavam com quatro plantonistas, mas fizeram mais levantamentos (inclusive dois deles ocorreram no meu plantão, mas não tínhamos condições de atender).

Tive curiosidade de saber como se comportaram. Então consultei os relatórios dos peritos:

Foram 14 levantamentos, sendo dois acidentes de trânsito, duas constatações de danos, oito homicídios, um cadáver encontrado e uma morte acidental (eletroplessão).

Percorreram 1.112 km para ir e voltar das 7 viagens no interior. Considerei os dois levantamentos em São Sebastião como uma só viagem. A distância média por viagem ficou em 80 km (apenas ida).

Sete viagens para o interior, numa distância média de 80 km.

Não computei as distâncias dentro de Maceió, que podem chegar a até 15 km entre o Centro e a algumas periferias.

Abaixo é possível ter uma noção dos horários de atendimento durante as 24 horas do plantão dos quatro plantonistas:

Distribuição dos atendimentos ao longo das 24 horas do plantão.

Considerei horas inteiras, desde a hora da chamada, até a hora de término do exame no local. Não inclui o deslocamento de volta para a base do Instituto de Criminalística, em Maceió.

Na próxima publicação ilustrarei o plantão da minha equipe, que foi executado no dia anterior.