terça-feira, 23 de agosto de 2016

Fotografia em dois ambientes

Apresentou-se uma dúvida interessante. Como a fotografia se comportaria no ambiente pericial e no ambiente de eventos "não investigativos criminais" (casamentos, aniversários, propaganda, imprensa, etc.)?

Uma diferença marcante, mas não a única, seria observar os "modelos".


Enquanto nos eventos sociais temos pessoas animadas, vivas e cheias de emoção, não podemos dizer o mesmo nos eventos criminais. Curiosamente isso já mostra uma certa "facilidade" do fotógrafo criminal em fazer seu trabalho. Há necessariamente menos movimentação, mas, talvez, algum desafio para controle luz e registrar pontos que não recebem "comandos". O fotógrafo de eventos precisa "controlar" seus modelos. Deve conduzi-los para um melhor posicionamento.

Obviamente isso se reflete no manejo do equipamento.

A "zona criativa" onde o fotógrafo irá ampliar o domínio sobre o equipamento.

Para ambos os profissionais, os conceitos básicos são imprescindíveis.


Apresentado em alguns cursos como os "três pilares da fotografia", eles definem a exposição adequada do sensor à luz. São eles:

OBTURADOR - representa o tempo da luz. Isso pode "congelar" movimentos ou justamente sugerir movimento no resultado final da foto.


DIAFRAGMA - representa a quantidade de luz que atinge o sensor. Controla ao luminosidade do registro.


SENSIBILIDADE ISO - representa o nível de detecção da luz pelo sensor da câmera. Além de influir na subexposição ou superexposição, o principal problema é a produção de "ruído" na imagem. Um efeito "granulado" que degenera a imagem.


FOCO - representa onde está a nitidez da imagem.

PROFUNDIDADE DE CAMPO - representa quantas partes da imagem estarão nítidas.

DISTÂNCIA FOCAL - define o campo de visão de uma lente. Quando a lente possui essa distância variável é conhecida como "zoom" e permite o fotógrafo aproximar e afastar o assunto sem que precise se deslocar.

Após estes conhecimentos básicos, temos as peculiaridades de cada profissional.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

"Test Drive" da nova câmera do instituto

O Instituto de Criminalística adquiriu novas câmeras fotográficas. Marca Canon, modelo Rebel SL1 EOS 100D.


Não há o que reclamar do novo equipamento. Na verdade o desafio será dominar boa parte dos excelentes recursos que ele oferece. Abaixo está a simbologia que ilustra alguns destes recursos.

Clique na imagem para ampliar.

Além do corpo, vieram duas objetivas: uma "normal" de 50 mm e uma "zoom" de 18 a 200 mm (vejam abaixo).


Também foram adquiridos tripé e flash auxiliar para cada câmera, juntamente com uma bolsa para transporte.

"Kit" básico de campo. Excluí o tripé e o flash auxiliar.

Montei um conjunto para testar e como o levantamento era pelo dia, dispensei o tripé e o flash auxiliar. Mesmo pelo dia estes itens podem ser necessários, mas a natureza do exame solicitado não exigia.

Ainda na porta do IC experimentei a capacidade de zoom da objetiva 18-200 mm.


Com uma resolução de 18 Mpx, explorei a ampliação digital (cortes no arquivo original).


Abaixo repeti o teste de resolução para visualizar uma placa que fica a 350 metros da entrada do IC. O impressionante é que o recorte foi feito numa imagem capturada na distância focal de 18 mm, ou seja grande angular. O recorte ficaria ainda melhor se a imagem fosse produzida sob DF 200 mm.


Saímos na viatura e levei a câmera sobre as pernas. É assim que fico constantemente de prontidão para fotografar durante o deslocamento. Aproveitei para testar captura contra a luz:


Lembrando: como a luz da janela é mais forte que o interior do veículo, então precisamos "forçar" o flash para registrar os detalhes do interior. É preciso desligar os automatismos da câmera para acionar o flash deliberadamente (programa "P)".


No trajeto para o local de crime optamos por uma via que passa por trás do aeroporto. Vejam mapa abaixo:


Como foi possível visualizá-lo, pensei em fotografar. Ainda que eu tenha marcado um ponto no GPS para saber minha localização no momento da foto, é possível "encontrar" esse lugar pela hora registrada na fotografia. A hora exata em todos os equipamentos facilita o cruzamento das informações.


Desta forma também é possível encontrar imagens que produzi na câmera no momento em que fui fotografado pelo celular.

Isso é muito importante em perícia. Além da captura das imagens, registrar a data e a hora das mesmas. Imprescindível na verificação de tacógrafos, por exemplo.

Vejam abaixo a foto feita a cerca de 6 km de distância. Clique nas imagens para ampliá-las.


À esquerda temos o campo visual original (imagem capturada) e à direita um corte com edição de luz e nitidez. A viatura estava em movimento. Percebe-se uma estaca de cerca de arame farpado em desfoque de movimento na primeira imagem.

Brinquei de "congelar" movimentos usando o programa "Tv" ou "S" ("Shutter Priority"). A câmera controla todos os outros ajustes e libera o obturador para o usuário.

Com a viatura em movimento "parei" a margem da pista (o retrovisor sempre nítido por estar parado em relação à câmera). Também "congelei" as rodas de uma motocicleta ultrapassada pela viatura (os raios e a sombra parecem parados).



O tempo usado para "congelar" foi de 1/1000 segundos, mas isso pode variar de assunto para assunto.

No local de crime me comportei como se estivesse com a minha câmera. Bolsa pendurada nos ombros e máquina na mão. Nesta câmera há uma bandoleira que passei pelo pescoço.


Temos de caminhar e nos abaixar com frequência. Para evitar impactos indevidos, a câmera anda sempre junto ao corpo ou dentro da bolsa.


Por causa dos automatismos, é possível usar a câmera apenas com uma das mãos, mas constantemente altero a distância focal (zoom) e, dependendo das condições de iluminação, tenho de usar os atalhos para efetuar ajustes rápidos e as duas mãos ajudam bastante.

Uma das vantagens do grande zoom é poder aproximar o assunto sem necessariamente se aproximar tanto. Vejam exemplo abaixo (postura e resultado correspondente).


Obviamente existem consequências que precisam ser administradas. A vibração é uma delas. Usar o estabilizador é uma solução, mas também gasta bateria. Nada que assuste, principalmente se houver bateria reserva para emergências.

Especialmente neste levantamento, por volta das 9h30, o sol estava muito forte e produz o que chamamos de luz "dura", ou seja, uma distinta diferença entre zonas claras e escuras. Vejam abaixo:

Zonas claras demais e sombras escuras demais.

LEVANTAMENTO SOB SOL FORTE

Um dos segredos do fotógrafo eficiente é saber controlar a luz. Como neste caso ela é "dura" (primeiro quadro abaixo), então você a "exclui" fazendo uma simples sombra sobre o assunto (se coloca entre o sol e o tema ou pede a ajuda de um auxiliar). Eventualmente será preciso uma luz extra incidente, então você "força" o flash (segundo quadro abaixo). Pode aumentar o zoom para delimitar toda a área artificialmente sombreada (terceiro quadro) - importante para a fotometria automática - e, com o flash acionado, obtém uma imagem que depois de editada (corte) se consegue resultado muito bom (quarto quadro abaixo).



Se o caso fosse à noite, para fotografias próximas (relacionadas e de detalhes), toda a luz necessária seria fornecida pelo flash embutido. Panorâmicas exigiriam ajustes na sensibilidade da câmera e ou uso combinado do flash auxiliar (externo).

A nova câmera é uma SLR ("Single Lens Reflex") digital que pode funcionar com alto grau de automatismo (faixa verde na imagem abaixo) ou entregar vários controles (faixa vermelha) ou mesmo o controle total (programa M) ao usuário.

Dial seletor de modos de fotografia.

O modo A+ (em verde) libera apenas o disparador para o fotógrafo. Todo o resto é feito pela câmera (com exceção do enquadramento, é claro!).

O modo P é o recomendado para otimizar a tarefa do perito em campo. Ele proporciona razoável grau de automatismo (ajuste de obturador e diafragma, por exemplo), configurado pelo usuário e permite acionar outros ajustes conforme a necessidade (compensação e uso do flash, por exemplo).

Com o tempo terei oportunidade de testar mais recursos (período noturno, por exemplo) e eventualmente publicar aqui.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Plantão do dia 06 de fevereiro

Comecei o plantão sem estacionamento! Curiosamente nossos motoristas "fecharam" o estacionamento das motocicletas!


Com mais espanto, apenas duas chamadas foram atendidas nas primeiras 22 h (vinte e duas horas) do plantão. A terceira, e última chamada, ficou pra mim...

Seis horas da manha - informação de homicídio em Maragogi (120 km de Maceió). Tomamos uma viatura e saímos eu e o motorista.


Optamos por não seguir pela rodovia AL-101 e 105 a partir de Maceió, mas começar a viagem pela Av. Cachoeira do Meirim, no bairro do Benedito Bentes.


Bairro do Benedito Bentes, ainda em Maceió.

Usina Cacheira que dá nome à avenida.
Neste trajeto apreciamos amenidades antes de chegar no litoral: ciclistas e o colorido das casas mais simples.



Passamos pela delegacia e seguimos para a parte alta do município (Alto da Boa Vista ou também Alto do Cruzeiro), próximo à torre de sinal de celular. O GPS segue ligado no painel da viatura. Registro todo o trajeto.



Interessante que no local não havia muitos curiosos. Os que estão na foto abaixo se achegaram com a chegada das equipes! Ou seja, o cadáver já estava no local há algum tempo e não despertava mais a curiosidade dos moradores.

A curiosidade junta todo tipo de gente. As crianças são as mais vulneráveis.
Pelo fato de ser local aberto e exposto à circulação pública, a preservação não foi favorecida. Iniciamos os trabalhos imediatamente com busca de artefatos balísticos (só havia sob o cadáver), localização e registro dos ferimentos e manchas de sangue. A exiguidade de vestígios relevantes era desconfortável.

Testando a nova câmera do instituto.

Veja comentário da nova câmera neste link: "Test drive da nova câmera".

Registro das manchas de sangue (a sombra foi intencional!)

Detalhe de alguns ferimentos (sob edição). Ambos entrada de
projétil de arma de fogo. O primeiro com a pele nua, o segundo sob vestes.

Terminamos os trabalhos e apreciamos a paisagem mais uma vez antes de voltar para a rodovia.

Vista do local de crime (bairro alto de Maragogi).

Infelizmente, descobrimos porque a viatura fazia um barulho estranho no porta-malas. Quem a utilizou pela última vez não guardou o estepe. Com isso o suporte ficou solto. Por causa de uma lombada se soltou, então tivemos que colocar tudo no lugar novamente.


Na verdade foi um vacilo nosso que não verificamos a viatura antes de sair! Nada demais. Facilmente resolvido. Saímos mas não sem antes prestigiar as famosas bolachas de Maragogi!


São vendidas nas margens da pista, mas nosso motorista sabia onde ficava a fábrica!

Chegamos em Maceió com o retrato do Carnaval alagoano. Todos partindo para a praia e somente nós voltando para o centro!

Maceió saindo de Maceió para o Carnaval no litoral norte do Estado.

Chegamos às 12h20. Quatro horas depois que o plantão já havia terminado.